domingo, 16 de março de 2008

Ai. Como algumas vezes eu queria mostrar um subjetivo meu bem desforrado. Eu juro que tento - e não minto. Estou desdobrando o meu centro só para dizer que precipícios existem, de fato. Eu constatei, e continuo.
Mas, sabe? É um alcance a dois: sei e não sei. A parte que me é conhecida, eu gosto. A tão desapercebida - ou ainda não reconhecida, digo - eu gosto mais ainda.
Não vim pedir abrigo, juro de novo. Com os pés juntos e coração aberto.
É que sou toda-de-vários-viés. Um labirinto. Sim, sim!
Labirinto.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


O valor dissoluto das frágeis vertigens de nossa vivência é algo tão forte. Enquanto estamos categoricamente nos desenvolvendo, comete-se o singelo engodo de que a nossa flexibilidade senso-moral tratar-se-á como derrotada, já que o encontro de um ponto fixo foi possível em algum instante. Um ponto fixo possível? Mentira. É com certeza mentira. 
Quem não sucumbe à pluralidade é fatalmente punido pela vida, creio eu. O desfazer das resoluções é tão fragilmente forte que torna-se como que inevitável. Ainda mais tratando-se do desconhecido. 
O desconhecido tem o suave arrojo de despertar interesse. Vejo-me tão decaída e fraca diante dele que tenho cara e coragem pra confessar que meus receios são suplantados pela provocação. O meu temor hesitante é de uma covardia tão profunda que não sei até onde o buraco chega se for cavado; então o atrativo me ganha, mesmo eu sabendo quanto esmero eu tenho que dar para que minha inquietude desprenda-se com melhor empenho. E eu mergulho em grandes saltos - até naqueles nunca antes tangenciados pela proposta do talvez. 
Não há como ter ponto fixo já que o mundo todo vivo estremece qualquer perna, até aquela mais disposta a não dobrar. O mundo todo vivo ecoa por entre todas as brechas e o comover-se deixa de ser uma escolha para vestir-se de atrevimento. Eu não quero deixar escapar o meu atrevimento. Ele me conduz quase que integralmente ao sobressalto, e o alvoroço faz-me envolver no vibrar latente concentrado em mim, deixando pra talvez quem sabe nunca-mais o depois. O depois? Um pouco distante, e eu simpatizo com as proximidades. Aproximar-me quer dizer é-pra-já, e não é-pra-adiante.
Eu deixo que esta alavanca reporte-me ao desconhecer daquilo que não é previsto, porque me interessa mais ser maleável e curvar-me ao meu gosto a me firmar numa estabilidade mentirosa. Ou não tão verdadeira assim...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Custa nada




Apegada ao desprender
aprendi que
a pegada
aponta pra frente
a pegada
que leva e se sente

[o desapego não mente

tente?]

Eu tento
eu tento
o desprendimento
apegada a

...nada

É tudo momento
eu tento, tomo tento
me oriento
apegada ao desapego
é aprender

que tudo é momento
dentro
aponta pro centro,
eu tento

...tudo

A pegada
voa
voa
tem hálito de fruta
e nome
de pessoa
me pega apegada, a pegada
então,
eu tento
no momento
desprender.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Só vim aqui porque se não escrevo, eu seco. 
Eu já me prometi, me prometi bem compromissadamente. Escrever o que são letras, aqui dentro, em forma de desvelo. É para me rememoriar. Cravar cintilante o permanecer que vale a pena.
Quão afável eu desejo, e não vejo. Mas desejo.
Eu sei que é certo e certeiro o desvalida, mas já é promessa prometida. Prometida!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O mínimo do máximo

Tempo lento,
espaço rápido,
quanto mais penso,
menos capto.
Se não pego isso
que me passa no íntimo,
importa muito?
Rapto o ritmo.
Espaçotempo ávido,
lento espaçodentro,
quando me aproximo,
simplesmente medesfaço,
apenas o mínimo
em matéria de máximo


(Paulo Leminski)




É o que eu digo: Leminski é Leminski e paciência!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sem roteiro, pouco erro. Não propósito, e quem sabe, o acerto. Pouco vário e sempre vasto. Tudo em sempre, tempo em tudo a todo tempo. Versos de casa, de bolso, de olhos. Pedaços de palavras, afastadas lado a lado, cá na balança que compõe o alcança. Gostar do novelo por andar às estribas, e se tropeçar: sossega e foi pego.
Só desejo, dobrado por fora, e por dentro o enredo. Acaba só se eu disser, disser o dito repetido. Repito o começo vestida de avesso - é que não se repete o que comete.
Apenas embrulha e aproxima o segue.

sábado, 27 de outubro de 2007

‘Não existe
certo
nem errado
Todo mundo
tem razão
O ponto
de vista
é que é
o ponto
da questão.’