"Mãos"
O mundo tem gosto duvidoso, Maria,
impossível, em uma vida, aprender a ser-se bom.
O mundo tem solo variado, Maria,
quando enfim sejamos grandes - oh desejo pueril -
qual chão nos suportaria:
é a grandeza que primeiro atola
num passo em falso, em terra acre...
Certo é amiudar as mãos com labor e paciência
até alcançar sua dureza nuclear, sua delicadeza fina.
Certo é amiudar-nos com labor e paciência
para em silêncio acolher - sem ferir -
o milagre, Maria, o milagre.
(Raiça Bomfim)
sábado, 17 de outubro de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
Hoje eu fui a um lugar onde não existia pressa. Nada dessas coisas que se importam com a demora chegavam de visita. A minha vontade ficava somente naquele espaço todo de água com luzes abrindo caminhos bem dourados: o mar parou. Foi então que eu vi como eu também não tinha pressa, não sentia pressa alguma. Nunca fui daquelas pessoas que estão constantemente em atividade de busca, em corredores e passarelas. Gosto daquilo que vem ao meu encontro sem precisar sofreguidão e velocidade. Acho bom descobrir lençóis com calma. Minhas mãos e o que havia de gelado nelas, bem como na minha vista, ficaram tão livres. Tudo aquilo que eu carregava no corpo havia ficado em seus lugares e eu levara somente alívio. Bagagem não pisava naquele chão.
No meio disso tudo, eu sorri — e era tão bom...
No meio disso tudo, eu sorri — e era tão bom...
segunda-feira, 6 de julho de 2009
let there be
É que seria tão bom
se pudéssemos,
ao menos na maioria
das vezes,
existir como amor-antídoto.
se pudéssemos,
ao menos na maioria
das vezes,
existir como amor-antídoto.
domingo, 28 de junho de 2009
a casa é grande
Eu agradeço tanto a essa descontinuidade da vida. Em mim, ela sempre rebenta em coisinhas preciosas. Desta última vez, eu vi bem através e não consigo segurar, não consigo deixar guardado para que eu só eu perceba - vontade de que todo mundo veja comigo. São as sucessões, os desfazeres, os refazeres e aqueles traçados bem lindos de todos os passarinhos que por mim passeiam. Para vocês, passarinhos, eu recordo umas palavrinhas:
E é prá chegar
sabendo que a gente tem
o sol na mão
e o brilho das pessoas
é bem maior,
irá iluminar nossas manhãs...
E é prá chegar
sabendo que a gente tem
o sol na mão
e o brilho das pessoas
é bem maior,
irá iluminar nossas manhãs...
terça-feira, 16 de junho de 2009
sábado, 13 de junho de 2009
Um trecho de Virginia
"A vida é o que você vê nos olhos dos outros; a vida é o que as pessoas aprendem e, tendo aprendido, nunca, embora o tentem esconder, deixam de estar conscientes de — do quê? De que a vida é assim, ao que parece. (...)
Mas a face humana — a face humana no topo da mais cheia folha de impressão contém mais, comporta mais. Agora, de olhos abertos, ela olha para fora; e no olho humano — como é mesmo que o definem? — há uma quebra — uma divisão — quando você vê o galho, assim, a borboleta já voou — a mariposa que paira à tardinha sobre a flor amarela — mova, levante sua mão, bem longe, bem alto. Pois não levantarei a minha mão. Pare então e não pare de tremer, ó vida, alma, espírito, ó você qualquer coisa de — mim — como eu em minha flor — o falcão na chapada — sozinha, ou de que valeria a vida?"
Mas a face humana — a face humana no topo da mais cheia folha de impressão contém mais, comporta mais. Agora, de olhos abertos, ela olha para fora; e no olho humano — como é mesmo que o definem? — há uma quebra — uma divisão — quando você vê o galho, assim, a borboleta já voou — a mariposa que paira à tardinha sobre a flor amarela — mova, levante sua mão, bem longe, bem alto. Pois não levantarei a minha mão. Pare então e não pare de tremer, ó vida, alma, espírito, ó você qualquer coisa de — mim — como eu em minha flor — o falcão na chapada — sozinha, ou de que valeria a vida?"
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