domingo, 12 de julho de 2009

Hoje eu fui a um lugar onde não existia pressa. Nada dessas coisas que se importam com a demora chegavam de visita. A minha vontade ficava somente naquele espaço todo de água com luzes abrindo caminhos bem dourados: o mar parou. Foi então que eu vi como eu também não tinha pressa, não sentia pressa alguma. Nunca fui daquelas pessoas que estão constantemente em atividade de busca, em corredores e passarelas. Gosto daquilo que vem ao meu encontro sem precisar sofreguidão e velocidade. Acho bom descobrir lençóis com calma. Minhas mãos e o que havia de gelado nelas, bem como na minha vista, ficaram tão livres. Tudo aquilo que eu carregava no corpo havia ficado em seus lugares e eu levara somente alívio. Bagagem não pisava naquele chão.
No meio disso tudo, eu sorri — e era tão bom...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

let there be

É que seria tão bom
se pudéssemos,
ao menos na maioria
das vezes,
existir como amor-antídoto.

domingo, 28 de junho de 2009

a casa é grande

Eu agradeço tanto a essa descontinuidade da vida. Em mim, ela sempre rebenta em coisinhas preciosas. Desta última vez, eu vi bem através e não consigo segurar, não consigo deixar guardado para que eu só eu perceba - vontade de que todo mundo veja comigo. São as sucessões, os desfazeres, os refazeres e aqueles traçados bem lindos de todos os passarinhos que por mim passeiam. Para vocês, passarinhos, eu recordo umas palavrinhas:
E é prá chegar
sabendo que a gente tem
o sol na mão
e o brilho das pessoas
é bem maior,
irá iluminar nossas manhãs...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ai, esses meus olhinhos - trago coração neles.

sábado, 13 de junho de 2009

Um trecho de Virginia

"A vida é o que você vê nos olhos dos outros; a vida é o que as pessoas aprendem e, tendo aprendido, nunca, embora o tentem esconder, deixam de estar conscientes de — do quê? De que a vida é assim, ao que parece. (...)
Mas a face humana — a face humana no topo da mais cheia folha de impressão contém mais, comporta mais. Agora, de olhos abertos, ela olha para fora; e no olho humano — como é mesmo que o definem? — há uma quebra — uma divisão — quando você vê o galho, assim, a borboleta já voou — a mariposa que paira à tardinha sobre a flor amarela — mova, levante sua mão, bem longe, bem alto. Pois não levantarei a minha mão. Pare então e não pare de tremer, ó vida, alma, espírito, ó você qualquer coisa de — mim — como eu em minha flor — o falcão na chapada — sozinha, ou de que valeria a vida?"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

veio até mim

Estava olhando mesmo sem pretensões. Sentada à mesa, na companhia de alguns, e aquele vento passando o tempo na gente.
Alguém veio até mim e disse: pare um pouco, não procure.

domingo, 17 de maio de 2009

we are accidents
waiting
waiting to happen