domingo, 28 de junho de 2009

a casa é grande

Eu agradeço tanto a essa descontinuidade da vida. Em mim, ela sempre rebenta em coisinhas preciosas. Desta última vez, eu vi bem através e não consigo segurar, não consigo deixar guardado para que eu só eu perceba - vontade de que todo mundo veja comigo. São as sucessões, os desfazeres, os refazeres e aqueles traçados bem lindos de todos os passarinhos que por mim passeiam. Para vocês, passarinhos, eu recordo umas palavrinhas:
E é prá chegar
sabendo que a gente tem
o sol na mão
e o brilho das pessoas
é bem maior,
irá iluminar nossas manhãs...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ai, esses meus olhinhos - trago coração neles.

sábado, 13 de junho de 2009

Um trecho de Virginia

"A vida é o que você vê nos olhos dos outros; a vida é o que as pessoas aprendem e, tendo aprendido, nunca, embora o tentem esconder, deixam de estar conscientes de — do quê? De que a vida é assim, ao que parece. (...)
Mas a face humana — a face humana no topo da mais cheia folha de impressão contém mais, comporta mais. Agora, de olhos abertos, ela olha para fora; e no olho humano — como é mesmo que o definem? — há uma quebra — uma divisão — quando você vê o galho, assim, a borboleta já voou — a mariposa que paira à tardinha sobre a flor amarela — mova, levante sua mão, bem longe, bem alto. Pois não levantarei a minha mão. Pare então e não pare de tremer, ó vida, alma, espírito, ó você qualquer coisa de — mim — como eu em minha flor — o falcão na chapada — sozinha, ou de que valeria a vida?"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

veio até mim

Estava olhando mesmo sem pretensões. Sentada à mesa, na companhia de alguns, e aquele vento passando o tempo na gente.
Alguém veio até mim e disse: pare um pouco, não procure.

domingo, 17 de maio de 2009

we are accidents
waiting
waiting to happen

domingo, 10 de maio de 2009

Recorte

Quando estivera cama à dentro, a delongar miúdas recordações, é que viu quão tilintante eram os inventados. Ela devia segurar-se mais no chão, ter por onde passar, e ver mais à sua altura, não tão longe não tão alto. Lembrou-se de como arrependimento era estado recorrente. Mais ainda sobre os não-feitos. E as mãos sempre ali postas, em conducentes consolos apertinhos prontas a pôr termo aos próprios pesares. Por que se ocupava tanto com não-acontecimentos? Por quê? Acabava era perdendo o que já lhe acontecera, isso sim. Ficava só com as inexistências.
Custoso era fazer-se valer de que nada daquilo ali faria com que

Tudo bem. Yo no creo en tiempo, pero que los hay,
los hay.

sábado, 2 de maio de 2009

Leminski, Paulo

haja hoje para tanto hontem